segunda-feira, 30 de maio de 2011

De onde vem a inspiração

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A madrugada me inspira, esse friozinho melancólico, a névoa, como um fino véu de noiva e a chuva fina que cai  como partículas de estilhaços de vidro, tocam fundo na alma dos sozinhos, dos que tomam chá pra conversar consigo mesmos. Músicas também inspiram, aromas, cores... É como se houvesse um corte sem pena na camada que protege o coração e também na parte da memória reprimida, que não deveria ser excitada, porque contém conteúdos que, expostos, geram confusão mental e tristeza... a tristeza me inspira, porque ela é um sentimento muito verdadeiro, ela aflora tudo o que há em mim, traz pra fora, transborda.
O corte que me fazem, jorram sangue em forma de palavras, proporcionando ver-me por dentro, quase que em totalidade: as emoções, opiniões, distrações, abominações e até quase as paixões, bem aqui, para todos vocês lerem. O que é bem perigoso eu diria, corro o risco de ser julgada, de fazerem mau leitura de mim, mas eu suporto os riscos, prefiro ser verdadeira, mostrar-me! Sou como dizia, sabiamente, Clarice Lispector: "Mas sou de trato muito simples, mesmo que a alma seja complexa".



sábado, 28 de maio de 2011

Transitórias

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"Há pessoas estrelas e há pessoas cometas... 

Os cometas passam. Apenas são lembrados pelas
datas que passam e que retornam.
As estrelas permanecem. O sol permanece. Passam
anos, milhões de anos, e as estrelas permanecem."
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 Já percebeu que nem sempre em nossa vida estamos com pessoas que nos acompanham desde cedo ? Isso é porque elas vão, e vem e vão de novo.Transitam na vida, tomam caminhos diferentes, conhecem novas pessoas, algumas deixam marcas, outras são apenas uma vaga lembrança do verão passado. Não necessariamente as amigas de agora serão as amigas de amanhã, ou um amor vai durar o bastante, até mesmo nossa família se vai, por alguma fatalidade. Nunca se sabe o que o tempo e o destino nos revelam, e eu garanto: eles tem uma crueldade peculiar.
Mas pensar em como seria bom se pudéssemos acorrentar as pessoas em nós, tê-las sempre conosco. Mas acorrentar as coisas tira a sua beleza, tira o seu simbolismo. Você não pode pertencer as pessoas, o ser humano é de instinto livre. Então, o que nos resta é tentar fazer com que as pessoas cometas se tornem estrelas, como diria Bial: "Esforce-se mesmo para diminuir as distâncias geográficas, porque quanto mais você envelhecer, mas vai precisar das pessoas que conheceu enquanto jovem". 

Fico feliz em saber que minha vida é tão iluminada e cheia de estrelas ! :D

Amor? Isso é bom ?





Haverá maior paradoxo do que o amor? Você entra num estado de alma indescritível quando está apaixonada, acha que encontrou a pessoa certa, pra vir a vida e fazer você perceber realmente o contrário. Não existem príncipes, existem sapos. Existem defeitos, muitos defeitos, até porque amar não é admirar as qualidades, e sim aceitar os incômodos do outro. Há ainda as pessoas que vem com aquele conselho bem clichê: "Pare de procurar que quando você menos esperar, ele aparece". Mentira! Se você não se mobilizar, não se fizer notada, não ter auto confiança, realmente a probabilidade é bem difícil. Não existem caras-metades, o que existem são mais mulheres do que homens no mundo. Fora os gays, comprometidos, canalhas, etc, etc, etc.
 O amor é  lindo e desejado quando é correspondido. Mas coisa mais triste do que amar alguém e não ser correspondida? Ou pessoas que fazem pouco do seu sentimento? Realmente injusto. Mas, nem sempre as coisas na vida são justas não é mesmo? Você descobre que quem não te faz bem, não te faz falta e descobre que o amor próprio, depois do amor de mãe, é o amor mais precioso.
Amor, o melhor e também o pior estado de alma ... que sempre acaba valendo à pena, porque venhamos e convenhamos, seres humanos foram feitos para o amor. Amar é muito bom, com seu prós e seus contras.

- Vai um amor aí ? (:

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mas vale...

Um coração puro, bom... às vezes chego a me perguntar de que vale isso tudo se constantemente ele é machucado. Será que realmente vale perdoar facilmente, ser carinhosa com as pessoas se, quando jogam fora o que lhes foi oferecido, embaçam sua bondade, você é a pessoa prejudicada?
Essa resposta eu mesma sei responder: mais vale um coração bondoso do que se contentar em ser um alguém que vive com o pé atrás com tudo, que desacredita no amor, na amizade e que convive com o semblante maldoso no coração.

Confia em mim ?

Confiança: algo bonito, difícil de ser mantido e ainda mais complicado ainda pra ser recuperado. Com certeza é a base de todas as relações humanas, seja um namoro, uma amizade, relações familiares. A questão muito tênue é saber em quem confiar. Inúmeras vezes nos decepcionamos, quebramos a cara porque pessoas fizeram mal uso do que lhes foi oferecido. Mas é como já se dizia: " Só é confiável quem sabe confiar ".

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sinta muito

Durante todo o dia muitas coisas passam aos nossos olhos, às vezes fogem da vista. Todo mundo olha, mas poucas pessoas tem o dom de ver, de reparar. Quantas coisas importantes, dotadas de significado passam despercebidas diante desses olhos amadores, leigos... volto atrás, não só dos olhos, vemos também com outras partes do corpo. Vemos com a pele, com o olfato, com os ouvidos. É um exercício mágico e intenso. Já dizia uma amiga:- "Ver as pessoas sem usar os olhos é como se elas deixassem de ser só corpo e se transformasse em uma energia, para ser sentida".
Vemos sem a visão, conversamos sem as palavras, ouvimos até o silêncio do outro, os nossos sentidos todos se misturam na busca de comunicação. E ser humano é o que de mais complexo que existe, ele me fascina.
Então é isso: "É só dos sentidos que procede toda a autenticidade, toda a boa consciência, toda a evidência da verdade." (Leonardo da Vinci)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Por que choras?
- Quero botar pra fora a parte feia de mim, gosto do bonito que há na minha alma. As nuvens podem cobrir a Lua a tal ponto que  torna difícil  perceber a sua luminosidade.

Esse tal alguém

Por mais que sempre lhe dissessem o contrário, Clarissa relutava na ideia de nunca achar o cara certo. Ela até se conformaria em arrumar um cara "errado" (tá, nem tão errado assim)... o caso é que ela não tinha nem um e nem o outro. Estava só. E, embora quisesse estar assim (ou pelo menos, era o que ela queria acreditar), sentia falta de uma companhia, de alguém que a tomasse entre os braços e lhe arrancasse o fôlego de sopetão, ou alguém pra abraçar, ficar no calorzinho humano, no aconchego. Alguém que sempre notasse os sinais do seu olhar, ou que gostasse de uma forma estranha de suas manias, que ouvisse uma música, justo aquela, e se lembrasse dela, que soubesse os seus pontos fracos. Ela queria ser mimada, queria que ele interrompesse sua fala com beijinhos leves e levados, queria risos, queria o toque da pele, queria calor. Alguém com quem conversar durante as noites de insônia, queria insanidade, queria loucura. Alguém que gostasse das coisas mais bobas dela, alguém que adorasse quando ela contasse milhões de vezes a mesma história, alguém que não medisse esforços para vê-la.
E algo nela ardia, sim, era uma chamazinha de esperança, de cor morena, tênis surrados e sorriso meia boca, intenso. Sabia que havia encontrado o que queria no instante em que o viu. Ele sorriu, ela sorriu, havia algo de reciprocidade nisso. Meses depois, ela agradecia por ele estar com ela, e tudo exalava alegria e amor. Ele tinha defeitos sim, mas era a pessoa errada que mais dera certo em sua vida. Foram os sete meses mais felizes da sua vida.
Era um dia comum de inverno, ela o esperava em sua casa. Pobrezinha, mal sabia o que o destino te guardava. Veio a notícia: "Jovem de dezenove anos morre atropelado após sair de uma floricultura, havia um cartão onde ele escrevera o seguinte: 'Morena, se um dia eu morrer antes de ti, virarei teu anjo. Eu te amo muito'."

terça-feira, 17 de maio de 2011

Do que se chama saudade






Acordar com o cheirinho de manhã, com o canto dos pardais. Meu quarto escuro, aconchegante... sinto falta do timbre inconfundível das vozes que pairavam na casa, ou dos risos e barulhos dos pequeninos. Do verde que me acompanhava à mesa de jantar, aquele pedaço de natureza dentro de casa. Cada cantinho habitado por mim ali, tudo com cores e aromas familiares, nostálgicos. Aaaah, minhas cadeiras de balanço, que a gente tanto se aprochegava pra jogar conversa fora... ah, minha amigas ! A praça, tão nossa, palco de loucuras. Lá esquecíamos a timidez e exercíamos o dom de ter uma criança dentro de nós. A calçada do "Serviço natural e restaurante", os banquinhos, todos sãos guardiães de ótimas lembranças e segredos.
Meu colégio, as amigas sempre ali, a rotina deliciosa, os abraços, as piadas, a parceria, as freirinhas, o cházinho cura tudo da coordenação, o pastel de Segundo, as aulas à tarde, as provas à noite, o ônibus. Pessoas, paisagens, poesias.
Sinto falta de coisas simples, porém dotadas de um incrível valor simbólico. A crueldade (ou qualidade) do tempo, consiste em passar rápido demais. As pessoas, coisas, vão ficando no caminho, inesquecíveis, nítidos, guardados em um relicário dentro de mim.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Palavras não falam - Mariana Aydar

"Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras".
(...)

Entulho de palavras

Que as palavras cortam mais do que facas, isso não se pode negar, mas pior ainda é guardá-las só pra você. O ser humano adquiriu a liberdade para falar o que pensa. Foi-se o tempo da ditadura. Então, por que não falar o que te inquieta? Não estou falando aqui em despejar as palavras pesadas em cima das pessoas e sair magoando todo mundo, pois muitas vezes, as palavras acabam se tornando piores do que o silêncio, mas o que diferencia isso é o modo de falar, e isso tem que ser escolhido com cautela. Em todos os lugares do mundo, em tantas situações, palavras foram mal ditas e geraram grandes confusões. O que quero dizer é que não adianta passar por cima dos problemas e fingir que está tudo bem, pois eles novamente vem à tona, e quando você percebe, tem um entulho enorme de coisas não-ditas dentro de você, seja por medo, por insegurança ou pelo simples fato de querer suportar tudo sozinha. Bem mais leve lidar com uma coisa de cada vez do que colecionar tormentos. 
O diálogo é a base de uma relação, seja qual ela for. É a única chance que se tem de resolver as pendências. Do contrário você estará alimentando o monstro dos problemas, e quando ele fica muito grande, ele te engole, você não consegue ser mais forte do que ele e muitas vezes a saída é o oposto do que pretendíamos.
Então fica à dica: se algo te aflinge, se algo está errado, converse, nunca deixe de falar o que pensa, pois um dia, o acúmulo dessas palavras podem acarretar em perda total, e aí quando tentarmos externá-las pode ser tarde demais.

domingo, 15 de maio de 2011

Breve comentário...

Enquanto pesquisava a psicanálise, me deparei com uma frase que me chamou muito a atenção: " É necessário então lembrar para parar de lembrar". A frase, de início não parece ter tanto sentido, mas se você for analisar, a gente só consegue se livrar de um problema se a gente "cansar" ele, ou seja, lembrar, ficar falando sobre ele, por isso quando estamos inquietos, costumamos conversar com alguém e aí o que nos perturba fica bem mais leve, passa a ser somente uma lembrança, nem te incomoda mais. Você precisa lembrá-lo, reconstruí-lo para só então conseguir apagar de vez, porque enquanto o conteúdo estiver guardado a sete chaves, a resistência à ele não irá se manifestar, pois é como se o problema fosse um corpo estranho que precisa fazer-se sentir para que os anticorpos sejam ativados.

- Bendito curso de psicologia, já me ensinando um bocado ! (:

sábado, 14 de maio de 2011

Complicado? Eu diria desafiador

Durante anos, muitas pessoas tem passado por mim, dia após dia. Tive a oportunidade de conviver com muitas, de personalidades diversas. Mas foram as pessoas difíceis de conviver que me ensinaram as maiores lições... elas são verdadeiramente, um exercício de paciência. Elas me ensinaram que só se conhece bem uma pessoa se você já teve alguma briga com ela. Hoje isso faz o maior sentido do mundo, porque, se depois da briga você consegue perdoar, viver numa boa e não desgastar o sentimento envolvido, quer dizer que o que vocês tem não é de mentira, eu diria até que é muito forte, pois um alicerce mal feito põe toda uma construção a perder.  Então, eu me contradigo: não existem pessoas difíceis de conviver, existem pessoas desafios e cá entre nós, desafios são sempre irresistíveis, nós os amamos. (;
Hoje, eu posso olhar pra trás e agradecer à todas as pessoas que depois de brigas e discussões ainda sim são presentes, ainda sim estão aqui, caminhando lado a lado e mostrando o quanto nosso laço é forte e difícil de arrebentar !



Em especial à minha amiga Vitória, que por anos foi uma pessoa desafio pra mim, mas muito embora, me mostrou que os nossos longos anos de amizade não foram em vão e que, depois de todas as discussões que já tivemos continuamos aqui, mais amigas e unidas do que nunca. Eu amo você :*

E se... ?

Apego esse que nós temos ao se. O que aconteceria se ...?, mas e se... ? Existe coisa mais incerta e inútil do que ficar imaginando o que poderia ter acontecido se tivéssemos pegado o caminho oposto? O que aconteceria se tivéssemos ido à festa? O que aconteceria se houvesse uma segunda chance? Já é uma mania tola de pensar no futuro e estragar a surpresa que ele nos reservava, se decepcionar porque criávamos uma previsão mais emocionante e ela acaba não superando as expectativas, ainda temos que nos apegar ao que poderia ter sido e não foi ? Temos mania de viver no outono.
Enquanto pensamos no futuro, ele chega, e rápido demais! Você ficará sempre idealizando uma coisa que está à sua frente, que passa por você sem nem cumprimentar.
Deveríamos é pensar no hoje, no agora, que está aqui, do nosso lado, apenas esperando para ser vivido, há tanta coisa pra se ver, vamos nos permitir, e aí perceberemos que o presente faz jus ao nome, ele também traz surpresas e... presentes ! Além de ser o tempo verbal mais bonito. (:

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ócio cotidiano: ClariceLispector

Obscuridade da face oposta

Marisa estava consideravelmente mais quieta, fechada em si. Onde andava toda aquela felicidade que, um dia, irradiavam de seus olhos? Eu respondo: deram lugar à tristeza cravada no drama do seu olhar negro.
Tentara, por vezes, obrigar-se a ficar feliz, mas esta máscara caia em curtos intervalos de tempo. Era uma alegria falsa, superficial, morna.
Estava sempre rodeada de pessoas, mas com pesar, descobria-se só e oca... oca por dentro. Não sabia desatar os nós da sua mente. Apresentava-se como um profundo mistério para si mesma.
Descobri, com desconforto, do que se tratava. A pessoa que partira seu coração era a única que também poderia juntar os seus pedaços, era a que o mantinha batendo. Uma lástima!
Foi então que ela pensou uma coisa óbvia, mas que jamais lhe ocorrera: ele não esteve presente todo o tempo em sua vida, ela já vivera sem ele e, por mais que essa ideia esbofeteasse sua alma, era auto-tortura e uma pitada de masoquismo continuar vivendo assim. Telefonou-o na mesma hora, mas a voz não saiu... e dessa vez, o seu silêncio foi mais determinante e mais dotado de significado que todas as palavras que pudesse dizer. Resolvera tudo.

Dedicada à uma amiga X

Às minhas estimadas amigas palavras

Caras palavras,

Correndo o sério risco de ser tarde demais, venho aqui tentar entender o motivo de nossa intriga. Vocês são como as minhas asas, me proporcionaram o dom de ser gaivota, me proporcionaram visitar lugares únicos, explorar horizontes desconhecidos, me relacionar com as coisas externas a mim, éramos amigas (as melhores, eu diria) quando o que restava pra amenizar a solidão era papel, lápis e vocês, guardiãs de tantos segredos.
Mas de uns tempos pra cá, a lacuna que há entre nós apenas cresce, somos meras conhecidas, tratadas com indiferença, conviniência. Me sinto sozinha, e com medo, bastante medo. Sei que não tenho cuidado bem de vocês, as tenho empregado em lugares indevidos, sem cautela e subestimando o seu poder, mas este é o preço que tenho que pagar? E tudo o que enfrentamos juntas?
Espero que junto com essa carta vá o meu pedido de desculpas pelo abandono, pelos maus tratos e que assim possamos voltar a ter a nossa relação invejável, linda, pura, sem julgamentos... Sinto muito a sua falta!

Com afeto, Ana Beatriz