quinta-feira, 31 de julho de 2014
terça-feira, 27 de maio de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
Sobre um dia sem data
A chuva trouxe o orvalho pra dentro dos meus olhos, o cinza não colore só o céu, o arco-íris não saiu, nem sequer explicou por que não veio, aqui não faz cheiro de terra molhada. O pôr do sol não tinha cores, eu pude ver a sua ausência com os meus próprios olhos de janela. Quando a chuva cessou, um ou outro passarinho emitia um som tímido, quase não audível. O incenso acabou, a melodia se esvaiu, a mente transbordou um líquido salgado, lágrima de mar. A noite demorou a varrer o mundo com a sua saia preta, costurada com a linha da melancolia. Estrelas? Devem estar se exibindo em outro céu, no meu não quiseram nem dar as caras. A lua me olhava, me olhava, lamentava e sentia pena. O céu chorou, as nuvens desmancharam de angústia e o Sol dormia um sono profundo de quem não quer sair do útero quentinho pra nascer.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Quando mais me importei com o mundo, quis tirar todas as suas dores sangrentas, latentes e repintá-las, minimizá-las. Quando mais me importei com todo o mundo, eu absorvi um pouco da dor de cada um e chorei, lamentei as dores do mundo de todo o mundo. Quando mais me importei com todos, me senti retalho de alma, um pouco de cada. Quanto mais eu remoía e colecionava dores, mais a minha crescia, apoderava-se de mim, era a minha companhia. Quando eu percebi que eu somava dores, já havia explodido no acalento do meu próprio abraço inquietante, o abraço de ser vencido pelo cansaço.
domingo, 9 de março de 2014
Beat
Sobre a expansão de consciência e a afirmativa certeira de
que havia nascido ali, naquele estado, no meio daquelas luzes e cores que me
olhavam e me abraçavam, não me incomodavam. Árvores luminosas, leões d’água,
cidades subterrâneas. Foi ali, no meio daquele calor de março, daquele ritmo,
daquela cumbia, daquela energia, daquelas pessoas. Poderia me aninhar na aura
colorida e doce, na freneti(cidade). Foi aqui que nasci, afirmei de novo. Nasci
nesse solo quente, nasci nos ritmos. Toquei de leve o chão e levei minha mão
por todo o meu corpo. Mais que estar ali, eu queria fazer parte daquilo, queria
ser absorvida pelas notas musicais. Um ritmo suado, agoniado, eu não era
matéria corporal, eu era som, batimentos, era um eu abstrato. Meu coração, uma
batida. Meu cérebro, uma batida. Meus olhos, uma batida. E me atirei naquela
rua, no coração onde nasci.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Em um estado meio dormente, que parecia um meio termo entre
a vontade e a desistência ou entre o sono e a vigília, lágrimas quentes caíam
pelo rosto. Ela não se esforçava, as lágrimas brotavam e rolavam, esquentando
sua bochecha, contrastando com o clima frio da cidade. Agarrava-se ao
travesseiro como quem agarra a última chance. Cerrava o maxilar e chorava, remoía
todas as dores extremamente familiares, dores de entranhas, dores já paridas. A melancolia te inspirava e alfinetava. A
música, já repetida umas 16 vezes, não sei, martelava em sua cabeça e era
máquina de mais lágrimas. A escuridão, o cheiro de canela do incenso quente, a
melodia, o sono. Só isso.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Insônia
Pensamentos insistentes
Parecem torneira pingando
Ploc! Ploc!
A noite inteira.
Parece martelo num prego
Tá! Tá! Tá! Tá!
Madrugada adentro.
Travesseiro quente
Queima meu sono
Lençóis revirados
Pernas inquietas
Olhos arenosos
Boca seca
Um copo d'água pra lavar toda essa lama
Ver a água corrente
O barro limpinho
Doido pra virar escultura
Ver ideia tomando forma.
Tic tac tic tac
O tempo corre!
O tempo apressa
A pressa imprensa
E a insônia é densa.
Parecem torneira pingando
Ploc! Ploc!
A noite inteira.
Parece martelo num prego
Tá! Tá! Tá! Tá!
Madrugada adentro.
Travesseiro quente
Queima meu sono
Lençóis revirados
Pernas inquietas
Olhos arenosos
Boca seca
Um copo d'água pra lavar toda essa lama
Ver a água corrente
O barro limpinho
Doido pra virar escultura
Ver ideia tomando forma.
Tic tac tic tac
O tempo corre!
O tempo apressa
A pressa imprensa
E a insônia é densa.
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