Entre as cores que posso ser e a transparência sem perspectiva, optei pelo borrão.
Talvez não seja a mais exuberante das formas, nem o melhor, mas sou o eu.
O eu entre sorrisos e lágrimas quentes demais...
O meio termo nunca foi pra mim, mas agora ele está com a forma do meu corpo.
Enclausurada num cubículo minúsculo e frágil de vidro,
Com o martelo na mão
E disposição nenhuma para quebrá-lo.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
Só saudade
Aquieta, querida!
Não deixa teu coração se inspirar pelo preto da noite
Nem que teus olhos pareçam barcos naufragados, perdidos.
Acalenta o teu soluço ao lembrar de balanços e fatias de Sol
Teu rastro não se apagará, nem tampouco será cortado o teu cordão umbilical
Põe o teu sorriso, aquele que faz seus olhos sumirem.
E nestes sussuros, eu que não bebo café, desejei umas três ou quatro xícaras, pelo menos
Pra aquecer a alma e o corpo, um cobertor feito de mãe e uma voz dizendo que isto tudo é passageiro.
Não deixa teu coração se inspirar pelo preto da noite
Nem que teus olhos pareçam barcos naufragados, perdidos.
Acalenta o teu soluço ao lembrar de balanços e fatias de Sol
Teu rastro não se apagará, nem tampouco será cortado o teu cordão umbilical
Põe o teu sorriso, aquele que faz seus olhos sumirem.
E nestes sussuros, eu que não bebo café, desejei umas três ou quatro xícaras, pelo menos
Pra aquecer a alma e o corpo, um cobertor feito de mãe e uma voz dizendo que isto tudo é passageiro.
terça-feira, 6 de março de 2012
Giradouro mental
A minha mente está coberta por tinta em todo lado
Não é só ser escravo dos meus impulsos
Há agruras e figuras no meu pensamento
Há mestres e vozes todo o tempo falando comigo.
Tudo aparenta sonho, tudo fede a sonho
Não sei se o dito normal sonha feito louco
Ou se eu, tão louco, sonho ser normal.
Mas a relatividade me permite
Asfixiaram-me no sistema
Amorteceram minha voz
Sedaram minhas ações
Ouvem com demência incomum os meus discursos sábios.
Eles não me ouvem. Que discurso? Que discurso?
Louco não somente eu, loucos vocês.
Escravizados, padrões, enclausurados
Cegos, surdos, estúpidos
Comuns.
Não é só ser escravo dos meus impulsos
Há agruras e figuras no meu pensamento
Há mestres e vozes todo o tempo falando comigo.
Tudo aparenta sonho, tudo fede a sonho
Não sei se o dito normal sonha feito louco
Ou se eu, tão louco, sonho ser normal.
Mas a relatividade me permite
Asfixiaram-me no sistema
Amorteceram minha voz
Sedaram minhas ações
Ouvem com demência incomum os meus discursos sábios.
Eles não me ouvem. Que discurso? Que discurso?
Louco não somente eu, loucos vocês.
Escravizados, padrões, enclausurados
Cegos, surdos, estúpidos
Comuns.
domingo, 4 de março de 2012
Mescla
Ao certo ninguém a decifrava
Se era fera ferida, ou se só o "ferida" já bastava.
De tantas personalidades, não escolheu uma sequer igual a outra.
Talvez fossem facetas de uma mesma personagem
Que criava para tentar arrumar mais umas duas ou três máscaras para gostar de si mesma.
E ela que não sabia ser mais certa ou menos errada
Fundia-se no desejo ardente de fazer algo valer à pena.
Se era fera ferida, ou se só o "ferida" já bastava.
De tantas personalidades, não escolheu uma sequer igual a outra.
Talvez fossem facetas de uma mesma personagem
Que criava para tentar arrumar mais umas duas ou três máscaras para gostar de si mesma.
E ela que não sabia ser mais certa ou menos errada
Fundia-se no desejo ardente de fazer algo valer à pena.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Do lado de lá
Lá de onde eu venho eu não preciso explicar-me
Basta olhar, basta ensaiar com a mão um gesto inacabado
Lá de onde eu venho, eu saio à meia luz, à meia noite
Coberta pelas estrelas e vigiada pela Lua
Lá de onde eu venho eu não preciso de relógios
Não preciso de palavras demais, seriedade demais, não aprecio os excessos.
Preciso de sorrisos, e os tenho. Sorrisos sinceros e coloridos.
Quando estou lá, as coisas parecem mágica
Lá de onde eu venho o impossível é um "quem sabe"
O muito pouco se transforma em muito, apenas
E a natureza me abraça com seus fins de tarde acolhedores e mornos.
Lá, o lugar de onde venho, sempre me conforta
É o meu paraíso terreno e terno.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Enigma
Loucura de amor? O amor, em si, já é uma tremenda loucura. Imagine só pensar por dois, imagine só viver por dois em um só, imagine ter um sentimento tão incondicional e amplo por uma pessoa que foge ao seu controle, que é parte de um mundo externo ao seu, mas que ao mesmo tempo é tão íntima e interna e consegue te fazer imensamente bem. Amar é como pular em queda livre em um penhasco alto e com fim. Escrever coisas tão sentimentais, tão amorosas e no ano seguinte não reconhecer a letra e a pessoa, muito menos o sentimento que havia. O amor é um enigma que só se decifra momentaneamente, só no momento da vivência, depois tudo perde o sentido novamente. O amor é um paradoxo.
Ao menos para mim.
Ao menos para mim.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Paraíso
Almejo um lugar seguro, que me segure entre os braços e me console deste mundo incomum. Lá eu veria tudo como se eu estivesse vendo pela primeira vez, guardaria aromas que não me esbofeteassem a face, passaria a noite nomeando as estrelas, lembraria de pessoas que não me decepcionaram. Lá eu adotaria um duende, e ele me ouviria quando todas as pessoas estão ocupadas demais com seus próprios devaneios. Lá eu amaria, com todas a completude do meu ser, eu amaria a essência das coisas, mas não todas as pessoas, pois foi amando-as que, um dia, precisei criar este lugar em alguma gruta da minha mente.
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