quinta-feira, 24 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Molduras
O café fica amargo, a bebida quente
E o cobertor é grande demais pra uma só pessoa.
Os braços procuram o que não há
A cabeça encosta num peito inexistente.
A janela emoldura o dia cheio que vem vindo
Os olhos emolduram o vazio do peito
O peito emoldura o coração
A lágrima presa no quadro emoldura o pensamento.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Ventos
Me sinto pássaro aventureiro
Folha atrevida que desprende da árvore
Avante! Rumo aos ventos desconhecidos!
Nada de correntes
Nada de gaiolas
Sou gota de mercúrio
Que foge da mão de quem o apreende.
Folha atrevida que desprende da árvore
Avante! Rumo aos ventos desconhecidos!
Nada de correntes
Nada de gaiolas
Sou gota de mercúrio
Que foge da mão de quem o apreende.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Parede de vidro
Entre as cores que posso ser e a transparência sem perspectiva, optei pelo borrão.
Talvez não seja a mais exuberante das formas, nem o melhor, mas sou o eu.
O eu entre sorrisos e lágrimas quentes demais...
O meio termo nunca foi pra mim, mas agora ele está com a forma do meu corpo.
Enclausurada num cubículo minúsculo e frágil de vidro,
Com o martelo na mão
E disposição nenhuma para quebrá-lo.
Talvez não seja a mais exuberante das formas, nem o melhor, mas sou o eu.
O eu entre sorrisos e lágrimas quentes demais...
O meio termo nunca foi pra mim, mas agora ele está com a forma do meu corpo.
Enclausurada num cubículo minúsculo e frágil de vidro,
Com o martelo na mão
E disposição nenhuma para quebrá-lo.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Só saudade
Aquieta, querida!
Não deixa teu coração se inspirar pelo preto da noite
Nem que teus olhos pareçam barcos naufragados, perdidos.
Acalenta o teu soluço ao lembrar de balanços e fatias de Sol
Teu rastro não se apagará, nem tampouco será cortado o teu cordão umbilical
Põe o teu sorriso, aquele que faz seus olhos sumirem.
E nestes sussuros, eu que não bebo café, desejei umas três ou quatro xícaras, pelo menos
Pra aquecer a alma e o corpo, um cobertor feito de mãe e uma voz dizendo que isto tudo é passageiro.
Não deixa teu coração se inspirar pelo preto da noite
Nem que teus olhos pareçam barcos naufragados, perdidos.
Acalenta o teu soluço ao lembrar de balanços e fatias de Sol
Teu rastro não se apagará, nem tampouco será cortado o teu cordão umbilical
Põe o teu sorriso, aquele que faz seus olhos sumirem.
E nestes sussuros, eu que não bebo café, desejei umas três ou quatro xícaras, pelo menos
Pra aquecer a alma e o corpo, um cobertor feito de mãe e uma voz dizendo que isto tudo é passageiro.
terça-feira, 6 de março de 2012
Giradouro mental
A minha mente está coberta por tinta em todo lado
Não é só ser escravo dos meus impulsos
Há agruras e figuras no meu pensamento
Há mestres e vozes todo o tempo falando comigo.
Tudo aparenta sonho, tudo fede a sonho
Não sei se o dito normal sonha feito louco
Ou se eu, tão louco, sonho ser normal.
Mas a relatividade me permite
Asfixiaram-me no sistema
Amorteceram minha voz
Sedaram minhas ações
Ouvem com demência incomum os meus discursos sábios.
Eles não me ouvem. Que discurso? Que discurso?
Louco não somente eu, loucos vocês.
Escravizados, padrões, enclausurados
Cegos, surdos, estúpidos
Comuns.
Não é só ser escravo dos meus impulsos
Há agruras e figuras no meu pensamento
Há mestres e vozes todo o tempo falando comigo.
Tudo aparenta sonho, tudo fede a sonho
Não sei se o dito normal sonha feito louco
Ou se eu, tão louco, sonho ser normal.
Mas a relatividade me permite
Asfixiaram-me no sistema
Amorteceram minha voz
Sedaram minhas ações
Ouvem com demência incomum os meus discursos sábios.
Eles não me ouvem. Que discurso? Que discurso?
Louco não somente eu, loucos vocês.
Escravizados, padrões, enclausurados
Cegos, surdos, estúpidos
Comuns.
domingo, 4 de março de 2012
Mescla
Ao certo ninguém a decifrava
Se era fera ferida, ou se só o "ferida" já bastava.
De tantas personalidades, não escolheu uma sequer igual a outra.
Talvez fossem facetas de uma mesma personagem
Que criava para tentar arrumar mais umas duas ou três máscaras para gostar de si mesma.
E ela que não sabia ser mais certa ou menos errada
Fundia-se no desejo ardente de fazer algo valer à pena.
Se era fera ferida, ou se só o "ferida" já bastava.
De tantas personalidades, não escolheu uma sequer igual a outra.
Talvez fossem facetas de uma mesma personagem
Que criava para tentar arrumar mais umas duas ou três máscaras para gostar de si mesma.
E ela que não sabia ser mais certa ou menos errada
Fundia-se no desejo ardente de fazer algo valer à pena.
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