terça-feira, 31 de julho de 2012

S(ó)


A tristeza dos olhos não cabem na gota de orvalho
Transcendem a imensidão da brisa vespertina
Calma, serena e morna.
O riso meia boca
O choro meia lágrima
A alegria meio triste
A incompletude!
O vazio do amor efêmero
O vazio do lugar ao lado
Da paixão que é fogo de palha
Da gasolina que acaba
Do amor solitário.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Auto - retrato



E eu aprendi que a melhor pessoa que se pode agradar é a si mesma! Quando você está bem, o resto se encaixa, fica bem também. A melhor pessoa com quem posso conversar é comigo mesma, porque de mim saem as melhores conclusões e as melhores perguntas. Eu sou também a melhor pessoa com quem posso contar, porque quando se quer as coisas bem feitas, eu vou lá e faço! Eu, aos poucos, aprendi a lidar comigo mesma, meus defeitos, qualidades, manias e incertezas... e não foi fácil! Sou inconstante, um pouco descrente, mas amável, intensa, centrada e narcisista. Não adianta procurar nos outros o que não acha em si mesma, não adianta querer entender os outros quando você, por si só, já é um mistério!
Sou um poço, profundo, confuso, mas não sou um poço vazio, é cheio de água pra quem souber buscá-la com paciência e sapiência!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Existe dentro de mim um mundo, o meu mundo, que poucas pessoas conseguem a chave. Lá eu não preciso explicar-me por um gesto tão inexplicável, ou tão óbvio. Enquanto as pessoas riem, eu me orgulho, porque elas tampouco tem ideia da grandeza do meu discurso, tamanha pequenez contida em suas mentes. Lá, tudo me é interessante, porque estou agradando a mim mesma, tarefa já árdua demais. Entre devaneios, dúvidas, conversas, eu me acho. Espremida entre uma coluna e outra, pra falar sobre coisas bonitas e feias, vou proliferando o que sou, porque sou letras, jogadas ao vento pela minha boca.

domingo, 3 de junho de 2012

Achei que estivesse blindando os sentimentos pra não sofrer, mas esquecera que, por ventura, é um ser humano e dificilmente se encontra a impermeabilidade certa pra o tipo errado de sofrimento.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Não sei se é feio admitir a inquietude da solidão, ou se é mais feio ainda fingir gostar da perenidade dos vazios. Feio mesmo é queixar-se de braços cruzados e acenar para o acaso. Se acha que vem, não vem, se acha que não vem, não vem mesmo. É pessimismo, descrença, realidade... sina?

domingo, 13 de maio de 2012

Molduras



A solidão torna os dias frios ainda mais frios
O café fica amargo, a bebida quente
E o cobertor é grande demais pra uma só pessoa.
Os braços procuram o que não há
A cabeça encosta num peito inexistente.
A janela emoldura o dia cheio que vem vindo
Os olhos emolduram o vazio do peito
O peito emoldura o coração
A lágrima presa no quadro emoldura o pensamento.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ventos

Me sinto pássaro aventureiro
Folha atrevida que desprende da árvore
Avante! Rumo aos ventos desconhecidos!
Nada de correntes
Nada de gaiolas
Sou gota de mercúrio
Que foge da mão de quem o apreende.