quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Vou-me

Começa assim: um mal estar, um embrulho no estômago, um aperto na garganta. Vômito. Vomito! Vomito-lhe palavras presas, doídas, encorpadas e mal mastigadas. Vomito no balde, vomito no banheiro, deixando o metafórico e recorrendo ao literal. Pedaços de almoço e palavras de antes. Dou descarga no balde tentando descarregar as palavras, o sabor ruim delas e do cigarro que fumei sob o sol quente onde não conseguia sequer chorar; o vômito desceu, bebi água e passou. Ainda sinto o sabor das palavras.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Conversa ao pé da cama para aliviar dores

- Aninha, quando você era pequena eu ficava assim, mexendo no teu cabelo.
- Eu lembro, mãe. Nós não cabíamos mais na mesma cama, aí eu vinha pra pontinha, mais perto da sua rede pra você mexer no meu cabelo até eu adormecer (isso espantava os monstros da noite e os medos de coisas reais).

E assim, no âmago dessa lembrança doce, uma delas foi vencida pelo cansaço, a outra, ficou desejando que a cama ainda coubesse as duas juntas.

domingo, 21 de setembro de 2014

Tem gente que tem coração igual ao dedinho do pé: estabanado e feito pra esbarrar nas quinas da vida...

Pra não morrer de saudade

Conto as horas do relógio
Arranco vorazmente as folhas do calendário
Fazendo prece pro tempo voar
Mesmo que ele insista em correr ao contrário.
Meu olhar ficou daltônico
Minha boca secou de palavras
A saudade, feito ácido, corrói meu coração
Enquanto isso, contraio o maxilar e engulo em seco.
Meu pensamento enlouquece
Faz força pra sonhar contigo
Rememora todos os segundos que vivemos
E morremos (de amor).
Minhas mãos te buscam freneticamente
Meu corpo se contorce e implora
A lua sai e debocha de mim
Parece que diz: - Vai morrer de saudade.




quinta-feira, 31 de julho de 2014

Seis

No balanço das horas
No balanço da rede
No balanço dos teus cabelos
No balanço dos nossos corpos
No balancê da quadrilha
Tua boca, uma ilha
Balanceou meu coração.


A poesia também dói, moço.

Corta, sangra, sabe?

A poesia também pesa, moço!

Chuta, cospe, mastiga.

Mas sabe o que dói mais que poesia falada, moço?
Uma poesia entalada

terça-feira, 27 de maio de 2014

A arte me consome e me assume!
Rasga-me, nua e crua
Me põe em estandarte
Me expõe ao mundo.